03/10 CARIDADE EXPRESSÃO DA ESSENCIA DA IGREJA
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FUNDAMENTAÇÃO TEOLÓGICA E BÍBLICA
Conforme o Catecismo da Igreja Católica, “a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus”(Cf. ClgC nº1822 ). Quer dizer: porque Deus nos ama, devemos amá-Lo, e por esse mesmo amor, amamos ao nosso próximo.Sabe-se que o amor é o “novo” mandamento de Jesus. Por isso, é o traço característico dos Cristãos.
O Apóstolo Paulo apresenta uma bela descrição de amor,ao afirmar que: “O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegra com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, e suporta tudo”. (1Cor 13, 4-7).
Na liturgia eucarística da Igreja reza-se: “Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs; inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles. (Missal Romano pag. 864 Oração Eucarística VI – D).
Por sua vez, nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB (108), os bispos relembram que o Papa Francisco insiste em dizer que deseja “umaIgreja pobre para os pobres” (EG, n. 198). Trata-se de superar as ambições, o consumismo e a insensibilidade diante do sofrimento.Bento XVI afirmou: “A opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com a sua pobreza” (Dap, n. 3). Todos os cristãos devem buscar uma vida simples, austera, livre do consumismo e solidária, capaz da partilha de bens: “ser pobre no coração: isso é santidade” (GeE, n. 70). Somente assim, a Igreja será “casa dos pobres” como proclamou São João Paulo II (NMI, n. 50), porque hoje e sempre “os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho”. Há que se afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. (Cf. nº 108 – DGAE 2019 – 2023).
O mesmo documentafala: “Sem a caridade, a oração não pode ser considerada cristã. (…) Somente contemplando o mundo com os olhos de Deus, é possível perceber e acolher o grito que emerge das várias faces da pobreza e da agonia da criação”(LS, n. 53).(Cf. nº102 – DGAE 2019 – 2023).
O documento prossegue: A solidariedade com quem sofre as consequências do desemprego e do trabalho precário é, pois, uma expressão importante de caridade, devendo se manifestar pela atuação organizada dos cristãos leigos e leigas.(Cf. nº 106 – DGAE 2019 – 2023).
Uma comunidade cristã precisa ter as portas abertas para o migrante, pois seus membros devem reconhecer que a acolhida ao “estrangeiro” é expressão concreta do amor que salva (Mt 25). (Cf. nº 111 – DGAE 2019 – 2023).
A Igreja igualmente se preocupa com os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pescadores. Reconhece e defende seus direitos, entre os quais a permanência em seus territórios. (Cf. nº 113 – DGAE 2019 – 2023).
No processo de formação e vivência àIniciação à Vida Cristã do catequisando, os formadores devem contribuir para o estimulo ao compromisso com a justiça eo serviço à caridade, propondo participação ativa e consciente na política, na cidadania, na opção preferencial pelos pobres e no cuidado com a criação. (Iniciação á vida Cristã -107 – CNBB Cf. Nº 167,7)
O Papa Francisco chama à atenção para um desafio enfrentado pormuitas comunidades: “(…, os jovens podem correr o risco de se fechar em pequenos grupos, privando-se, assim, dos desafios da vida em sociedade, de um mundo vasto, estimulante e necessitado. Têm a sensação de viver o amor fraterno, mas o seu grupo talvez se tenha tornado um simples prolongamento do próprio eu. Isto se agrava, se a vocação do leigo for concebida unicamente como um serviço interno da Igreja (leitores, acólitos, catequistas, etc.), esquecendo-se que a vocação laical é, antes de mais nada, a caridade na família, a caridade social e caridade política: é um compromisso concreto nascido da fé, para a construção de uma sociedade nova, é viver no meio do mundo e da sociedade para evangelizar as suas diversas instâncias, fazer crescer a paz, a convivência, a justiça, os direitos humanos, a misericórdia, e assim estender o Reino de Deus no mundo. (Exortação Apostólica Pós-Sinodal –” (ChristusVivitCf n 166).
Na Exortação Apostólica Pós-Sinodal“Querida Amazônia”, o Papa Francisco, falando dos caminhos de enculturação,afirma que: “Os habitantes das cidades precisam apreciar esta sabedoria e deixar-se «reeducar» quanto ao consumismo ansioso e ao isolamento urbano. A própria Igreja pode ser um veículo capaz de ajudar esta recuperação cultural numa válida síntese com o anúncio do Evangelho. Além disso, torna-se instrumento de caridade, na medida em que as comunidades urbanas forem não apenas missionárias no seu ambiente, mas também acolhedoras dos pobres que chegam do interior, acossados pela miséria. É-o, igualmente, na medida em que as comunidades estiverem próximas dos jovens migrantes para os ajudarem a integrar-se na cidade, sem cair nas suas redes de degradação. Tais ações eclesiais, que brotam do amor, são caminhos valiosos dentro de um processo de enculturação” (n 72).

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