08/11 Notícias da Paróquia A vida consagrada não pode faltar na Igreja e no mundo
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O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira (07/11), na Sala Clementina, no Vaticano, a comunidade do Instituto de Teologia da Vida Religiosa Claretianum pelos seus cinquenta anos de fundação.

“Neste meio século, são muitos e preciosos os serviços que prestaram segundo o espírito e a missão de Santo Antônio Maria Claret, que tanto trabalhou para apoiar e promover a vida consagrada em suas várias formas”, sublinhou o Papa em seu discurso, ressaltando que “a contribuição dos Missionários Claretianos às famílias religiosas, através do acompanhamento espiritual, do esclarecimento doutrinal e sobretudo da assessoria jurídica é conhecida em todo o mundo. Prova disso são suas publicações e revistas, algumas com mais de cem anos”.

Colocar em prática o que Santo Antônio Maria Claret tanto valorizou

Segundo o Papa, “após o Concílio Vaticano II, a fundação do Instituto Claretianum e o de Madri e, seguindo seus passos, os Centros Superiores de Manila, Bangalore, Bogotá e Abuja tiveram um resultado muito positivo”. Francisco agradeceu pela “vida e serviço” desses seis Institutos, mas também pelas iniciativas que promovem e continuam promovendo em muitos outros lugares como México, Polônia, Reino Unido e Indonésia. “A sua presença é muito visível nas Igrejas locais e nas conferências dos Superiores Maiores de todo o mundo”, sublinhou. O Papa agradeceu ao Instituto Claretianum, de modo especial, pelo “cuidado em divulgar o Magistério da Igreja, tanto dos Papas quanto dos Dicastérios mais estritamente ligados à vida consagrada”.

Neste tempo em que a Igreja quer viver sua vocação sinodal mais intensamente, tenho o prazer de notar que seu serviço à vida consagrada foi marcado pelo desejo de colocar em prática o que Santo Antônio Maria Claret tanto valorizou. Na verdade, vocês não só mantiveram a comunhão com a Sé Apostólica, com os Pastores das Igrejas particulares e com as Federações e Confederações de Superiores Maiores, mas também vocês trabalharam para compartilhar seu serviço de animação e renovação com outras vocações e ministérios eclesiais: religiosos com outros carismas, sacerdotes seculares e leigos.

O Papa encorajou os membros do Instituto Claretianum a continuarem “servindo a vida consagrada com o espírito claretiano, ou seja, com o seu ser missionário”. “A vida consagrada não pode faltar na Igreja e no mundo”, sublinhou. Segundo Francisco, o primeiro serviço dos institutos de Teologia Claretianum “deve ser oferecer-se como casas de acolhimento, louvor e ação de graças; como lugares onde os carismas são compartilhados e cresce o desejo de viver o espírito das Bem-aventuranças e do discurso escatológico”.

Neles a comunhão deve ser manifestada e devem ser incentivadas a opção pelos pobres e a solidariedade, a fraternidade sem fronteiras e a missão constantemente em saída. Com essa disposição, o dom da vida consagrada e sua missão na Igreja e no mundo serão muito apreciados.

Promover o encontro entre as gerações na vida consagrada

A seguir, o Papa disse que “hoje a vida consagrada não pode ser desencorajada pela falta de vocações ou pelo envelhecimento. Aqueles que se deixam ser tomados pelo pessimismo colocam a fé de lado. É o Senhor da história que nos sustenta e nos convida à fidelidade e fecundidade”. Cuida, “olha com misericórdia e benevolência o seu trabalho e continua enviando o seu Espírito Santo. Quanto mais nos aproximamos da vida religiosa através da Palavra de Deus e da história e criatividade dos Fundadores, mais somos capazes de viver o futuro com esperança. A vida religiosa é entendida apenas pelo que o Espírito faz em cada uma das pessoas chamadas”. Francisco convidou a “remover o espírito de derrota, o espírito de pessimismo, pois isso não é cristão. Não é cristão”. Convidou também a cuidar com atenção da vida comunitária numa época marcada pelo individualismo, “a viver a interculturalidade como caminho de fraternidade e missão, e a promover o encontro entre as gerações na vida consagrada, na Igreja e na sociedade“. A este propósito sublinhou a importância do encontro entre as diferentes gerações:

Os jovens precisam se encontrar com os idosos, eles devem falar, e os idosos precisam fazer isso com os jovens. Olhar para frente, a profecia de Joel, tão bonita! Com este diálogo, com o espírito, os idosos sonharão e os jovens farão profecias: serão capazes de ir adiante, com o sonho dos idosos. Por favor, não deixem os idosos morrerem sem sonhar: isso faz parte de uma missão. O encontro será realizado pelos jovens. Que seus jovens procurem os idosos e os idosos os jovens.

A seguir, o Papa disse que numa época, depois do Concílio, houve a mentalidade de reestruturar as coisas, e algumas congregações mandaram os idosos para um asilo. “Por favor, isso é criminoso! Penso num caso concreto: religiosas idosas que trabalharam bem, depois de dois meses no asilo foram para o outro mundo. De nostalgia, de tristeza! Os idosos devem morrer sonhando e os que fazem os idosos sonharem são os jovens, que devem tomar o lugar dos idosos. Não se esqueçam disso: deixe-os falar”, frisou o Pontífice.

Francisco disse que as pessoas consagradas “receberam o imenso dom de participar da pobreza de Jesus” que é a pobreza que “liberta e torna felizes”, e as convidou a não se esquecerem daqueles que vivem a pobreza que “humilha e mata”. “Que vocês possam fazer a vida triunfar sobre a morte e a dignidade sobre a injustiça, pois para realmente encontrar Cristo, é necessário tocar seu corpo no corpo ferido dos pobres, confirmando a comunhão sacramental recebida na Eucaristia”, concluiu.

Por: Vatican News