23/10 QUERO SER FONTE
Compartilhar

“Bebe a água da tua cisterna, a água que jorra do teu poço” (Prov. 5,15)

A imagem do poço nos ajuda a captar o mistério profundo da pessoa, fonte rica inesgotável. Daí a necessidade de um acesso constante a essa fonte, como uma imagem para o interior, para o coração.
Olhar para dentro de si mesmo requer coragem, empenho, luta… Normalmente vivemos na superfície, cheio de “coisas”, de ruídos…
Mas o que dá valor ao poço é a profundidade (de onde brota a água viva). O que plenifica o ser humano é a descoberta das riquezas interiores: desejo de autenticidade, de ser “eu mesmo”, atitude de busca, busca de algo melhor, mesmo que seja mais exigente.
A água parada apodrece. O sentido da vida está precisamente em comunicar-se, em perder-se pelos outros, em partilhar. O nosso interior é dinamismo, força, criatividade, vida sempre nova…
É tempo de “olhar para dentro”, de fazer uma peregrinação interior.
É tempo de ser poço. Cantar sua vida que salta como nascente. Cantar sua liberdade e sua originalidade. Ser o que se é, aquilo para o qual saiu da Montanha. Ser poço que se alarga, ampliando a vida. Ser poço que conhece as águas.

Ser poço e viver feliz. Aprender a jorrar água e a fecundar tudo ao seu redor. Onde você está deixa a alegria nas árvores com mil pássaros que saltam de galho em galho. Ser poço e jorrar vida feita água fresca para a pomba que, sedenta, desce à sua borda. Deixar sua água livre para que o cordeiro e a ovelha, o leão e a pantera, se juntem em sua transparência. Ser poço para todos.
Ser poço de onde brota a vida. Ser poço e o ser para sempre. Poço sem fronteiras. Poço transbordante. Ser feliz. Viver. Sua vida é sua luz. Sua vida estremece sua vida. Alguém vive em você. Você sabe, você experimenta. Ainda mais: é você quem vive n’Ele. A vida dele é sua vida, O viver dele é seu viver. Para você a vida é a vida dele.
Alguém vive em você no silêncio. Alguém que é como uma força de tormenta na montanha. Alguém que é como a luz transparente. Alguém que é como a beleza de uma rosa que perfuma seu ser. Alguém que conhece o bem, a verdade, a liberdade.

Ser poço desde a Origem. desde a Montanha, desde o vigor incontido do Manancial. Ser poço. Sua mãe é a Montanha. Você a leva em suas entranhas como um canto de libertação. Seu “interior” conhece a Montanha. Conhece o seu silêncio e a sua solidão. Conhece a sua interioridade e a sua profundidade. Conhece a vida.
Ser poço. Seu “interior” conhece a água do Manancial. É algo como o espírito que lhe anima. É algo como o vento que não se sabe de onde vem nem para onde vai, mas que se ouve a sua voz. É algo que lhe “marca”, que lhe dá identidade. Se a Montanha não lhe tivesse dado suas águas, se a Montanha não lhe tivesse dado sua vida de Manancial, hoje você não seria poço.
Ser poço e gritar a todos sua vida, deixar a torrente transbordar como quem encontrou a brecha por onde entrar. A torrente se fez sua liberdade e sua força. A torrente lhe deu um nome: poço.

Ser poço. Ser peregrino no “silêncio”. Ser dinamismo e tenda levantada em cada amanhecer. Ser para a aventura, ser para o desconhecido, ser para o novo, ser para o amanhã, ser futuro a galope de suas águas transbordantes.
Ser poço. Sentir em seu ser a vida que brota. Ser fecundo como a Montanha. Dar a vida nova como a Montanha. Saber que em sua vida há raízes eternas. Saber que vive desde a Origem. Saber que se alargará enquanto chegue a vida da Montanha.

E será cada vez mais livre. Será a harmonia que buscava. Leva-a “dentro” de si. É sua experiência. É uma voz que nasce “dentro” de você e fala no silêncio de suas águas.
Ser poço e querer gritar bem alto. Ser poço e viver. Amar sua vida e não querer abafá-la. Amar sua vida e não querer morrer “entupido” de coisas que lhe sufocam e não lhe deixam encontrar a razão de viver.

Gritar que viver é sua vida. Gritar que a vida vem da Montanha.
Oh! grita à Montanha e Manancial da sua vida!

VEJA TAMBÉM